Não diria que era um ponto ápice da loucura. Era muito mais
surdo do que um sussurro de um louco. Parecia mais procura do que perseguição.
E ela buscava a si. Fazia pena, mas era fato. Eis então o relato:
Numa noite ociosa de domingo, beirando ao frio, Rita já nem
mais se agüentava. Perdera tudo. Então me vem àquela questão: como se perde
tudo se já não se tem mais nada? É... E eu que achava que isso não era
possível. Perder-se é o pior dos declínios.
Já não havia razão para Rita manter-se forte. Na verdade
razão até tinha, mas motivo era nenhum. Pelo menos ela já não tinha vontade de
prosseguir.
Era mais uma questão de fuga.
Fugia dos amigos e da família. Fugia dos conselhos e dos
adjetivos que, com o tempo foram ficando cada vez menos encantadores. Fugia de
pensar em seu coração dilacerado. Fugia de lembrar o quanto estava sendo fraca
e o quanto já não tinha forças pra tentar ser forte.
O fato é que, quando se aprende a suportar a dor, depois de
um tempo é necessário jogar pra fora
tudo aquilo que já não condiz. E parece que veio tudo de uma vez... E na
verdade vem mesmo tudo de uma vez.
Rita já não sabia o que era seu. Já não entendia a sanidade
que se pode ter na vida. Ela já não queria mais nem entender. Ser deixada por
quem se ama... Se decepcionar com os amigos, não ter apoio, não ter pra onde
correr...
Só sabia correr de si. Tinha medo. Era como se aquela
situação não fosse passar nunca.
Parecia que até sua sombra conspirava contra ela naquela
noite. E ela corria. Corria em passos mudos. Era como uma criança atrás de si.
Um pirralho fugaz, atrás dos sonhos de Rita.
Ah Rita... eu pensava... não seja tão fraca! Mas como
suplicar força de alguém que não ouve mais nem mesmo o sussurrar do seu peito
pedindo que volte?
Ah Rita. Não desista. Não corra de si mesma.
E juro que não sei se adiantava.
Talvez hora ou outra ela pare de correr e olhar pra trás,
nesse olhar, ela sabe que não vê nada além de sua sombra lhe condenando, ela
sabe que o dono da vida é a gente, ela sabe que sempre que correr de si e olhar
pra trás com medo vai se ver... ela só esqueceu de lembrar disso tudo.
Vai se ver mesmo que em sombra, mesmo que obscura, mesmo que
oculta.
Porque somos nós que nos matamos a cada vez que erramos ou
que precisamos morrer. E somos nós que nos recriamos a cada amanhecer.
Acredito que quando o sol bater, e sua sombra declinar, ela
vai conseguir se acalmar.
Roberta Galdino

Olá amei o blog! Visite o meu, se gostar segue.
ResponderExcluirEu retribuirei e seguirei seu ;)
www.gleikka.blogspot.com
beijo com carinho
Obrigada por seguir!
ResponderExcluirTambém estou te seguindo ;)
beijo ;)
Oie, como vai?
ResponderExcluirTem um selinho esperando por vc:
http://marianapenna.blogspot.com/2012/02/selo-comemorativo-2-anos-do-blog.html
Bjãooo e bom fds!!
Oi Roberta, gostei do seu conto.
ResponderExcluirSe possível depois leia o meu, estamos concorrendo na mesma categoria do bloínquês.
http://reflexoesdo719r.blogspot.com/
(Se gostar do blog me siga e eu retribuo!)
Abraço.
Acredito que isso acontece sempre. Se olharmos quando o sol está nas nossas costas, vemos a nossa sombra refletida no passado, mas se olharmos com o sol de lado, iremos ver como o passado realmente é.
ResponderExcluirGostei :)
Oi Roberta ,gostei muito do seu blog . Parabéns por essa excelente iniciativa! Fico feliz toda vez que encontro um trabalho legal como o seu.
ResponderExcluirEncontrei muitas coisas legais aqui, já estou seguindo seu trabalho e estarei aqui sempre que possível.
Vou deixar um convite para conhecer o meu blog o endereço é http://www.construindohistoriahoje.blogspot.com nele eu abordo estudos voltados para história geral, paleontologia, arqueologia, política, atualidades, personalidades da história,espiritualidade, psicologia das massas dentre outros assuntos.
Abraços,
Leandro CHH
"Julgue seu sucesso pelas coisas que você teve que renunciar para conseguir."
Dalai Lama
Sempre precisamos de um espape, dessa coisa louca de correr para o mundo e pensar em não voltar mais.
ResponderExcluirAmei o texto, beijos
Muito legal teu texto, adorei a frase "O fato é que, quando se aprende a suportar a dor, depois de um tempo é necessário jogar pra fora tudo aquilo que já não condiz."
ResponderExcluirbeijos :*
Batom e Salto Alto
Sentir a necessidade de fugir de sensações ruins é tão comum qto parar olhar pra trás e perceber o que se perdeu, sofreu, e como disse, só nos mesmos é que recriamos cada dia.
ResponderExcluirPassa lá tbm... ;) Bjos
http://www.estigmaangel.blogspot.com/