sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Escape



Não diria que era um ponto ápice da loucura. Era muito mais surdo do que um sussurro de um louco. Parecia mais procura do que perseguição. E ela buscava a si. Fazia pena, mas era fato. Eis então o relato:
Numa noite ociosa de domingo, beirando ao frio, Rita já nem mais se agüentava. Perdera tudo. Então me vem àquela questão: como se perde tudo se já não se tem mais nada? É... E eu que achava que isso não era possível. Perder-se é o pior dos declínios.

Já não havia razão para Rita manter-se forte. Na verdade razão até tinha, mas motivo era nenhum. Pelo menos ela já não tinha vontade de prosseguir.

Era mais uma questão de fuga.

Fugia dos amigos e da família. Fugia dos conselhos e dos adjetivos que, com o tempo foram ficando cada vez menos encantadores. Fugia de pensar em seu coração dilacerado. Fugia de lembrar o quanto estava sendo fraca e o quanto já não tinha forças pra tentar ser forte.

O fato é que, quando se aprende a suportar a dor, depois de um tempo é necessário  jogar pra fora tudo aquilo que já não condiz. E parece que veio tudo de uma vez... E na verdade vem mesmo tudo de uma vez.
Rita já não sabia o que era seu. Já não entendia a sanidade que se pode ter na vida. Ela já não queria mais nem entender. Ser deixada por quem se ama... Se decepcionar com os amigos, não ter apoio, não ter pra onde correr...

Só sabia correr de si. Tinha medo. Era como se aquela situação não fosse passar nunca.

Parecia que até sua sombra conspirava contra ela naquela noite. E ela corria. Corria em passos mudos. Era como uma criança atrás de si. Um pirralho fugaz, atrás dos sonhos de Rita.

Ah Rita... eu pensava... não seja tão fraca! Mas como suplicar força de alguém que não ouve mais nem mesmo o sussurrar do seu peito pedindo que volte?

Ah Rita. Não desista. Não corra de si mesma.

E juro que não sei se adiantava.

Talvez hora ou outra ela pare de correr e olhar pra trás, nesse olhar, ela sabe que não vê nada além de sua sombra lhe condenando, ela sabe que o dono da vida é a gente, ela sabe que sempre que correr de si e olhar pra trás com medo vai se ver... ela só esqueceu de lembrar disso tudo.

Vai se ver mesmo que em sombra, mesmo que obscura, mesmo que oculta.

Porque somos nós que nos matamos a cada vez que erramos ou que precisamos morrer. E somos nós que nos recriamos a cada amanhecer.

Acredito que quando o sol bater, e sua sombra declinar, ela vai conseguir se acalmar. 

Roberta Galdino

9 comentários:

  1. Olá amei o blog! Visite o meu, se gostar segue.
    Eu retribuirei e seguirei seu ;)

    www.gleikka.blogspot.com

    beijo com carinho

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  2. Obrigada por seguir!
    Também estou te seguindo ;)

    beijo ;)

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  3. Oie, como vai?

    Tem um selinho esperando por vc:

    http://marianapenna.blogspot.com/2012/02/selo-comemorativo-2-anos-do-blog.html

    Bjãooo e bom fds!!

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  4. Oi Roberta, gostei do seu conto.

    Se possível depois leia o meu, estamos concorrendo na mesma categoria do bloínquês.
    http://reflexoesdo719r.blogspot.com/

    (Se gostar do blog me siga e eu retribuo!)


    Abraço.

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  5. Acredito que isso acontece sempre. Se olharmos quando o sol está nas nossas costas, vemos a nossa sombra refletida no passado, mas se olharmos com o sol de lado, iremos ver como o passado realmente é.
    Gostei :)

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  6. Oi Roberta ,gostei muito do seu blog . Parabéns por essa excelente iniciativa! Fico feliz toda vez que encontro um trabalho legal como o seu.
    Encontrei muitas coisas legais aqui, já estou seguindo seu trabalho e estarei aqui sempre que possível.
    Vou deixar um convite para conhecer o meu blog o endereço é http://www.construindohistoriahoje.blogspot.com nele eu abordo estudos voltados para história geral, paleontologia, arqueologia, política, atualidades, personalidades da história,espiritualidade, psicologia das massas dentre outros assuntos.
    Abraços,
    Leandro CHH

    "Julgue seu sucesso pelas coisas que você teve que renunciar para conseguir."
    Dalai Lama

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  7. Sempre precisamos de um espape, dessa coisa louca de correr para o mundo e pensar em não voltar mais.
    Amei o texto, beijos

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  8. Muito legal teu texto, adorei a frase "O fato é que, quando se aprende a suportar a dor, depois de um tempo é necessário jogar pra fora tudo aquilo que já não condiz."
    beijos :*
    Batom e Salto Alto

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  9. Sentir a necessidade de fugir de sensações ruins é tão comum qto parar olhar pra trás e perceber o que se perdeu, sofreu, e como disse, só nos mesmos é que recriamos cada dia.
    Passa lá tbm... ;) Bjos
    http://www.estigmaangel.blogspot.com/

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